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Há MAR

 

Surge um novo nome para o cenário pós-troika que irá baralhar ainda mais a dicotomia saída limpa vs saída suja. Algo que não está imaculado mas também não está encardido, apenas salpicado pela espuma das ondas.

Adorava saber quem é que se reúne para nomear estes programas e estas soluções, a maior parte das vezes tendem a ser eufemismos, mas há outras nomenclaturas consoante quem as nomeia que são deveras agressivas, como o célebre PIGS.

Neste caso, os nomes fazem sempre relembrar os programas de apoio aos alcoólicos. A falácia de vivermos acima das nossas possibilidades está tão intrincada que cada programa parece ser sempre desenhado de maneira a ajudar alguém a vencer os seus vícios. Basta desta falsa moralização quando as escolhas são de teor político.

Marcelo Rebelo de Sousa introduziu o tema para testar as reacções – como quem põe só um pé na água para ter noção da temperatura – à possibilidade da saída da troika ser acompanhada por um Mecanismo de Acompanhamento Reforçado. Que nos é apresentado como uma saída limpa mas com controlo, algo entre a saída à Irlandesa e o programa cautelar.

Esta solução implica um acompanhamento periódico trimestral e acautela a necessidade de podermos vir a recorrer ao crédito por parte do Mecanismo de Resgate Europeu, caso seja preciso.

Não havia quem clamasse por uma saída à Portuguesa, aí está ela, MAR.

“Uma visão atlântica e doce do programa cautelar.”

À Cautela

 

A histeria continua a espalhar-se pela comunicação social e pelas redes sociais de um modo cada vez mais assustador, fruto do mediatismo e imediatismo pelo qual se rege a nossa sociedade. O único interesse é encontrar alguém a quem se possa atribuir a culpa e na maior parte das vezes sem termos ainda conhecimento da totalidade dos factos.

A nível político continuamos de volta da possibilidade de haver um referendo, que creio que será chumbado pelo Tribunal Constitucional. Pela maneira como está feito, as duas perguntas versam sobre temas diferentes e estas podem tornar-se contraditórias entre si.

A trágica história que se passou no Meco e na qual faleceram seis alunos da Lusófona, é outro assunto que continua a animar as hostes. Não que não seja da maior importância apurar a verdade dos acontecimentos, porém até agora não existe nenhum facto conhecido mas somente inúmeras especulações, fruto das peças que os canais de televisão vão produzindo e da muita desinformação e especulação que se vai criando à volta da situação.

No meio de todas estas notícias – caso estejamos distraídos – o Governo e a Europa já fizeram saber que a eventualidade do uso de um programa cautelar e o seu desenho só serão discutidos mesmo nos finais de Maio. Logo, na iminência de vir a ser accionado. Aliás, este foi um dos factos que levou a Irlanda a desistir de um programa cautelar, com receio de dar por si na véspera de o accionar a perceber em que é que consiste o mesmo. Nós por cá não estamos preocupados com esse facto.

Bem sei que precisamos de conhecer mais aprofundadamente os números que têm vindo a público relativamente à economia portuguesa, mas parece-me que quanto mais cedo percebermos as implicações relativas ao programa cautelar e quanto mais tempo tivermos para negociar o mesmo, melhor será. Mas isso pelos vistos não é de maior importância, os partidos já contam as espingardas e preparam-se para as eleições – todos nós sabemos que nessa altura tudo é possível e todas as promessas são feitas, cumpri-las é que já é outra história.

Notícias do Fundo *

 

Apesar de aparentemente não se ter passado nada desde o início do ano para além do acidente de Schumacher e a trágica perda de Eusébio, outras coisas aconteceram.

O aproveitamento mediático de ambos os casos enfatiza ainda mais esta percepção e o aproveitamento político no caso da morte de Eusébio foi um triste espectáculo que todos nós teríamos abdicado de bom grado.

O imediatismo que se exigiu na resposta a este acontecimento é um mero sinal dos tempos, onde se quer tudo para ontem e tem-se aversão a pensar sobre os assuntos, é para fazer e logo, não vale a pena pensar sobre.

Mas entretanto houve uma emissão de dívida, o congresso do CDS-PP e a dupla recandidatura de Passos Coelho. A política já voltou, abriram-se as hostilidades para o novo ano.

A emissão de dívida correu bem e são sempre boas notícias, mas convém não esquecer que estas emissões de dívida são condição necessária para recorrer ao programa cautelar, tendo nós só agora conseguido chegar aos valores anteriores ao arrufo de Verão da coligação. Tudo isto tende a acrescentar ao facto de que a Espanha, Itália e Irlanda continuam a conseguir obter juros abaixo dos obtidos por Portugal.

Passos Coelho impulsionado pelos novos números que vamos conhecendo e vão animando o partido anunciou a sua dupla recandidatura, à liderança do PSD e às legislativas, tendo já um plano caso vença estas últimas. Temos visto o quão brilhantemente tem aplicado o anterior.

A coligação faz juras de amor e para fazer prova Passos Coelho deslocou-se ao congresso do CDS- num gesto inédito – continuando assim a demonstrar essa vontade de chegar ao fim do seu mandato ou mesmo vir a renová-lo.

No congresso do CDS não houve grandes novidades, Portas foi reeleito com uma ténue oposição, prova de que já há no partido quem ponha em causa as suas decisões e fica cada vez mais amarrado a Passos e à coligação.

Mas apesar de todos estes novos dados económicos e juras de parte a parte temo que o PS irá pedir eleições aquando do assinar ou mesmo accionar do programa cautelar, o tal que continuamos sem saber o seu desenho e as suas condições.

 

* Notícias do Fundo – O Monstro Precisa de Amigos – Ornatos Violeta *