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About André Peixoto

André Gomes Peixoto (n. 1982) a sua formação inclui uma passagem no curso de Arquitectura e mais tarde uma mudança para Filosofia, perseguindo uma outra paixão e aguçando o sentido crítico que evidenciava desde tenra idade. Oscila entre a escrita e trabalhos de ordem mais plástica continuando o que acredita ser o mais importante a sua pro_cura.

Desejos

Apesar da profusão de temas e inegável abundância de casos tenho-me abstido de escrever no desejo que a acalmia chegasse.

Mas receio que o estilo e retórica truculenta manter-se-ão por mais algum tempo. Tende a ser assim quando o mote é dado. Por esse facto serei parco nas palavras mas deixo a promessa que em breve regressarei quando o mar estiver de feição.

É normal que a crispação aumentasse pelo facto de estarmos a viver uma situação nova, o que já não será é manter este clima por muito mais tempo.

Para além da espuma dos dias, em relação a certos pontos creio já se poder fazer a destrinça e atribuir-lhes alguma solidez.

Os partidos mais à esquerda do PS não se irão remeter a partidos de protesto e este não terá que se coligar com a direita para governar. A curto prazo haverá maiorias de esquerda ou de direita.

A longo prazo, haverá tendencialmente cada vez mais partidos e maior representação parlamentar o que obrigará a que as maiorias absolutas tendam a desaparecer. O centro será reocupado ou pelos partidos existentes ou por novos que sejam criados. Não há vazios de poder. Os governos serão constituídos por mais do que um partido e não necessariamente do mesmo espectro político.

Sejamos Democráticos

Não creio que a comoção generalizada a que se tem assistido no pós-eleições tenha assim tanta razão de ser. Qualquer que seja o desfecho será vantajoso para a nossa democracia. Os movimentos e alterações que esta mudança trará, trarão consigo uma cultura mais democrática e de maior diálogo.

Não se pode condenar o PC e o BE por ser um partido de protesto e quando se dá esta revolução criticar essa mesma mudança anteriormente desejada.

O “arco da governação” expressão cunhada por Portas para se incluir no mesmo e excluir os outros partidos implodiu.

Nas democracias Europeias mais avançadas é recorrente este diálogo e cedências de parte a parte na procura da melhor solução de governo.

Nas eleições legislativas não se vota para nomear o primeiro-ministro mas para que na Assembleia esteja representada a vontade expressa pelos cidadãos na sua ida às urnas, apesar de muito ainda ter que ser feito para que essa representatividade seja mais proporcional.

Tendencialmente haverá cada vez mais partidos representados o que obrigará a uma maior cooperação de todas as partes. Para além de que a tradição Portuguesa de dar ou procurar maiorias absolutas, das quais ainda hoje sofremos os efeitos das mesmas, é perversa e faz com que quem governe não mantenha o diálogo com os outros partidos. Será sempre de salutar que esta tradição se perca e que outras mais sãs sejam incorporadas na nossa democracia.