Monthly Archives: September 2015

Fartura

Começou a rota da carne assada que costuma vir acompanhada de demagogia e frases feitas para o telejornal. Acabaram as discussões dos programas eleitorais, embora pouco se tenha discutido. A partir de agora a retórica irá diminuir à medida que aumentam os decibéis. Arruadas com fartura e comícios para ajudar a digerir.

Parabéns, Mais um a caminho!

No meio dos escombros da queda do BES e pressionado pela União Europeia, o Governo escudou-se no Banco de Portugal e tomou a decisão política de que a resolução seria a melhor solução para o problema. Garantindo demagogicamente que, através do fundo de resolução, esta opção não acarretaria nenhum custo para os contribuintes e permitiria a separação dos activos bons dos problemáticos.

O problema é que de interessado em interessado, à medida que as propostas iam baixando de valor, no final das negociações o valor era tão baixo que mesmo com a pressa de vender deixou de haver  qualquer interesse, tal era o prejuízo.

O Novo Banco já não é assim tão novo e nem tão bom. Apesar de se ter tentado conter as dívidas todas no banco mau, mesmo assim houve clientes que transitaram para o novo banco que não são assim tão benévolos para as contas. E agora que a resolução já fez um ano e começam a crescer-lhe os dentes, vai começar a morder.

O estudo do BCE desta semana revelou que entre 2008 e 2014 os contribuintes portugueses pagaram 19,5 mil milhões, equivalente a 11,3% do PIB, para apoiar o sector financeiro durante a crise e que estes apoios têm uma taxa de recuperação muito baixa, prova de que será mais um banco que os Portugueses terão de pagar.

Passos Coelho apesar de ter dito que não gosta de contos de crianças, continua a insistir na fábula de que esta solução não terá custos. Só que esta ficção não tem qualquer moral subentendida, e é amoral que continue a insistir nesta história. Para além de ser imoral que os Portugueses continuem a pagar banco após banco as falhas que os próprios têm e que não deixarão de ter se os reguladores nada fizerem atempadamente ou se as regras não mudarem. Após a  crise de 2008 com origem no sistema bancário e financeiro, tudo continua na mesma, aguardamos impávidos e serenos à espera da queda e subsequente resgate do próximo.

Uma mão cheia de nada

O grande combate, o jogo do ano foi muito pouco conclusivo para quem estivesse ainda indeciso.

O jogo foi morno e os oponentes ou chutavam para canto ou entravam à “Sócrates” e os moderadores empobreceram ainda mais o jogo ao tentarem eles próprios jogar, preocupados em ficar com o seu quinhão de tempo e defender as cores dos seus canais.

Todos os temas importantes a nível internacional, Europa, dívida, refugiados não foram sequer aflorados. E os que foram, de carácter nacional, apesar de serem falados não foram realmente discutidos, o plafonamento das pensões não foi devidamente explicado por nenhum dos candidatos a primeiro-ministro.

Ou lemos os programas dos partidos e fazemos figas para que sejam cumpridos, ou fazemos os questionários que agora surgem com perguntas específicas sobre determinados temas e questões, para se em caso de dúvida, perceber em que campo nos situamos.

Não vou sugerir atirar moeda ao ar porque estas eleições são demasiado importantes, para depender da sorte, e já são muitos os factores externos que poderão vir a influenciar mais tarde o desenrolar da próxima legislatura. Para além de que as moedas têm estado a mingar.