Monthly Archives: October 2014

Carta Branca

 

O despautério irá continuar e os ministros independentemente da gravidade dos erros que cometam não serão substituídos.

Esta procissão ainda vai no adro, mas há muito que já se ouve o toque dos finados. Os casos com o citius no Ministério da Justiça e do arranque escolar no Ministério da Educação é o exemplo cabal de que assim será.

Esta situação com a gravidade que lhes é reconhecida seria mais do que suficiente para que alguém assumisse as culpas e fosse responsabilizado pelos erros, pois não basta pedir desculpas sem que com as mesmas ocorra a reparação do erro e a restituição a todos os lesados nestes tristes acontecimentos, que teimam em sanar.

O caso mais recente a comprovar esta afirmação é o imbróglio com que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, nos presenteou na sua última intervenção. Já não é a primeira vez que o ministro coloca o País numa situação melindrosa devido às suas afirmações. Deveria seguir os conselhos dos administradores do BES e entrar mudo e sair calado, sempre se poupava e poupava-nos a outras situações como esta.

Passos não irá substituir ninguém, em parte por teimosia em parte pela escassez de interessados em entrar num governo que está prestes a cair. E assim irão continuar que nem mortos-vivos a arrastarem-se até ao dia das eleições.

O Retorno ao Realismo Mágico

 

O que este orçamento revela é o reiterado fracasso deste governo e um regresso ao mundo da fantasia, recorrendo mais uma vez ao realismo mágico.

Se analisarmos o orçamento, torna-se evidente que a maior parte dos números com os quais este governo fará com que o próximo devolva a sobretaxa, são demasiado optimistas, para não carregar demais nos adjectivos.

O aumento das exportações e diminuição das importações, quando se espera um crescimento económico superior ao da Alemanha, dirá tudo sobre esta quimera.

A austeridade continua presente neste orçamento, apesar das promessas e juras em contrário, e não haverá maneira de mudar este ciclo a não ser engrossando ainda mais a voz do que o mero aumento dos decibéis em 0,2% perante as instituições europeias.

O tratado orçamental obrigará a muito mais austeridade, tendo que cortar quase 2 mil milhões ano após ano. E como os números são sempre fantasiosos e raramente cumpridos, não se vê possibilidade de haver qualquer diminuição nos cortes até 2017.

Os ministérios primordiais como a Educação e a Justiça serão de novo penalizados. Mas aqui o principal problema reside nos seus ministros mais do que nas contenções orçamentais. Qualquer pessoa com um pouco mais de brio já teria renunciado ao cargo.

Bem sei que é difícil estabelecer consensos em Portugal, mas existe um há muito tempo partilhado por inúmeras entidades e sectores da nossa sociedade, o de que este governo terá que cair o quanto antes possível. Este governo arrasta-se e arrastará o País até às eleições.

Manter-se-ão?

 

A situação caótica que se vive há mais de um mês nos ministérios da Educação e da Justiça continua sem solução e sem fim à vista.

Na Justiça a inacção é de tal maneira gritante que se teve que suspender os prazos de prescrição dos processos, pelo facto da reforma judiciária ter sido feita sem os devidos estudos que acautelariam estas situações. A plataforma informática após o crash vai sendo aos poucos recuperada, mas enquanto não estiver a funcionar totalmente toda a justiça fica neste marasmo, face à falta dos processos digitalizados e do desconhecimento do paradeiro dos processos enquanto suporte em papel.

Quanto à abertura do ano escolar não deveria ser algo difícil de executar, mas como o ministro Nuno Crato quis impor os seus ideais e implodir o Ministério, agora torna-se mais difícil construir algo sobre os escombros. O imbróglio criado com a abertura do ano escolar e o processo de colocação de professores continuam a arrastar-se e a situação criada é cada vez mais confrangedora. Ao qual certamente não ajudará a postura de afronta com que o ministro se dirige aos professores.

Em qualquer um dos ministérios quase tudo continua igual. Alunos sem aulas, professores sem colocação e outros colocados e descolocados após as novas listas. Esta vergonha dura há mais de um mês e um terço do 1º período escolar já decorreu. Ao passo que na Justiça o ministério afiança que já está quase tudo resolvido, enquanto a Ordem dos Advogados afirma que só 22% dos processos é que estão consultáveis.

No caso BES a possibilidade da solução encontrada trazer mais um encargo para os contribuintes já começa a ser admitida, quando era óbvio que assim seria logo aquando do seu anúncio. Esta semana Maria Luís Albuquerque e Passos Coelho finalmente foram mais claros quanto a este ponto. As nebulosas que rodeiam constantemente este governo terão que acabar sob pena de continuando assim entregarem de bandeja o poder aos que já se perfilam para tal. Manter-se-ão?