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O Bom, o Mau e o Burlão

 

A ruína acabou por verificar-se, quando dias antes toda a gente jurava a pés juntos que tal não aconteceria e que o banco era sólido. Passado mais de um mês sobre a queda do BES sabemos tanto ou menos quanto sabíamos no dia do desastre.

A estranheza para além do facto anteriormente descrito é a de continuarmos a não saber quase nada sobre a solução escolhida, a não ser as insipientes informações noticiadas à exaustão, fruto de uma visão redutora tão bem expressa na escolha dos nomes perante a divisão do BES: banco bom, banco mau.

O Banco de Portugal afirmou que ocorreram situações de fraude no BES, mas o Ministério Público não abriu nenhum inquérito e não há nenhuma investigação em curso. Quanto tempo mais irá passar continuando a fingir que nada de grave se passou. Um escândalo como este não pode passar incólume.

Dentro em breve tal como os administradores que entravam mudos e saiam calados, outros envolvidos quererão começar a dizer qualquer coisa para se ilibarem de culpas. O receio é até onde irão e o que dirão. Anda tudo nervoso à espera da primeira pedrada no charco.

A maneira como todo este processo será conduzido terá inúmeras repercussões na sociedade e no país de um modo geral e as implicações económicas e políticas são inúmeras. Tratar este caso levianamente e sem rigor, só irá acrescer ainda mais descrença e desconfiança há já reinante nas instituições, que tudo deveriam ter feito para que este escândalo não tivesse chegado onde chegou.

Bem sei que o Dr. Ricardo Salgado já disse três milhões de vezes que é inocente, mas convém não deixar o caso cair no esquecimento, aumentando assim a sensação de impunidade que nos fica na boca de cada vez que estas tragédias se abatem sobre nós.