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As Ondas do Terramoto Político

 

As eleições europeias e o terramoto que os resultados causaram por toda a Europa já fez cair cinco líderes partidários e as suas ondas ainda se propagam. As repercussões a nível nacional e europeu são enormes e difíceis de vislumbrar em toda a sua extensão.

Em abono da verdade o sismógrafo já há muito que anunciava este choque. Mas como é costume, a Europa preferiu enterrar a cabeça na areia e só agora se assusta com os resultados, expectáveis, da subida estrondosa dos eurocépticos, populistas, xenófobos e extremistas.

A eleição de quase 150 deputados, num total de 751, de vários quadrantes e com inúmeras diferenças entre si, mas que têm em comum o desejo de subverter ou mesmo reverter o processo de integração europeia é por si só um problema grave. Acresce ainda que através destas eleições, para além de duplicarem a sua presença no Parlamento Europeu, atingindo os 20%, sabe-se que irão criar entraves ao seu funcionamento, já de si lento.

A nível nacional e perante os resultados, afinal a noite das facas longas fez-se sentir mais no PS. A fragmentação dos votos faz prever umas legislativas animadas e com surpresas e o ressurgimento de independentes, com nuances quanto ao grau de independência dos mesmos.

Tanto a nível nacional como europeu continuamos a não deter os mecanismos necessários para fazer face a uma nova crise idêntica aquela em que nos encontramos. A descida das taxas de juro não tem directamente a ver com a política nacional ou mesmo com algumas melhorias, mas com uma nova onda de especulação quanto às dívidas soberanas dos países periféricos.

Está-se a criar a tempestade perfeita para que a Europa ao continuar a afastar-se dos seus princípios basilares acabe de vez.

Eleições Europeias

 

Temos visto e sentido as consequências económicas e sociais das políticas de austeridade que se instalou desde o eclodir da crise. No domingo iremos ver as consequências políticas.

Tal como é apanágio nacional, a abstenção será a grande vencedora. Provavelmente com taxas superiores a 60%, que têm vindo a crescer a cada eleição, encontrando-se muito acima da média europeia.

Esta abstenção é também consequência da falta de interesse dos portugueses e europeus para com a política. Mas convém não esquecer que cada vez mais a política nacional será decidida a nível europeu, tal como demonstra o Tratado Orçamental assinado pelo PSD, CDS e PS.

No domingo, partidos como a Frente Nacional em França, o Movimento 5 Estrelas em Itália e o UKIP em Inglaterra, entre inúmeros outros pela Europa fora, irão assustar muita gente com os resultados que irão alcançar. Mais uma vez esperemos que não seja tarde demais para depois conseguir reverter os efeitos dessas eventuais vitórias.

Limpo mais limpo não há

 

Já vi fraldas mais limpas que a nossa saída, vamos lá pôr os pontos nos iis.

A suposta escolha do governo não existiu, não basta repetir à exaustão para se tornar verdade que o governo ponderou e escolheu a saída limpa. Faz lembrar o Fordismo, podemos escolher desde que seja a preta, perdão, a limpa.

As eleições europeias estão à porta, cairia mal perante o sucesso da saída e dos programas, afinal haver ainda uma ajuda ou uma qualquer garantia de apoio, caso fosse preciso. Não foi portanto uma escolha por via da falta de solidariedade reinante na Europa, em que certos países membros lucram com a miséria de outros mais afectados pela crise.

Quanto ao suposto sucesso do programa também é uma ilusão que o governo nos tenta vender com a conivência da Europa.

Os problemas estruturais continuam e chegaram mesmo a agravar-se durante a vigência do programa. A dívida e o défice aumentaram e a reforma do estado não foi feita. Só se aplicaram cortes avulsos sem qualquer ponderação a não ser tapar os buracos que iam surgindo sem nunca ter havido um planeamento ou uma estrutura lógica para além disso.

A Economia sai arrasada de todo este processo, com uma taxa de desemprego altíssima e uma enorme desvalorização do trabalho acompanhada de um enorme aumento de impostos e cortes no investimento e nas pensões sociais. Esta carga fiscal é insustentável economicamente e socialmente. O programa esteve mal desenhado desde o início e apesar da saída da troika os problemas mantêm-se.

A nível Europeu onde reside grande parte do problema e logo da solução pouco foi feito, apesar de alguns avanços alcançados, mas que são manifestamente insuficientes para fazer face a uma crise idêntica. A assimetria entre as economias europeias mantêm-se e a falta de solidariedade e de instrumentos para corrigir os problemas é gritante.

Não podemos continuar impávidos perante a passividade europeia e nacional e perante as consequências da inoperância ou mesmo falência do projecto europeu.

A troika vai-se embora, e mesmo esta afirmação é abusiva, mas os problemas ficam e agravaram-se durante estes três anos de austeridade massiva e sem qualquer lógica. A troika sai mas a austeridade veio para ficar.