As Comadres

 

As negociações quanto à reforma do IRC já foram rompidas e mais uma vez PS, PSD e CDS não chegam a acordo. Pior do que isso, pelos vistos, nem mesmo a maioria parlamentar e o próprio governo conseguiram encontrar um terreno comum para a discutir. Esta reforma seria de uma importância extrema, pois garantia que as mudanças efectuadas iriam manter-se, criando um quadro fiscal estável que não andasse ao sabor dos ventos que soprassem de São Bento.

Este aliás é um dos grandes problemas políticos a nível nacional, o facto de nunca haver qualquer garantia que as mudanças efectuadas sejam mantidas e que seja dado o tempo necessário para perceber o impacto das mesmas.

Isto tudo no mesmo dia em que Pedro Passos Coelho afirmou, em entrevista, que o programa cautelar não exige o apoio do PS, mas que mesmo assim irá procurar o seu consenso e apoio. Diga-se de passagem, que bela maneira de começar. Todavia, não o tendo e sendo a vigência do programa de um ano, não haverá qualquer problema com este facto.

Estas atitudes deixam sempre a impressão de que o que importa mesmo é fingir que se tentou, ou até tentar, mas sem nunca o conseguir efectivamente. As eleições Europeias aproximam-se e o resultado é este radicalizar do discurso e a postura agressiva a que estamos habituados, deixando de fora qualquer hipótese de entendimento quanto às inúmeras matérias para as quais seria aconselhável ou mesmo necessário haver uma convergência de posições.

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