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As Comadres

 

As negociações quanto à reforma do IRC já foram rompidas e mais uma vez PS, PSD e CDS não chegam a acordo. Pior do que isso, pelos vistos, nem mesmo a maioria parlamentar e o próprio governo conseguiram encontrar um terreno comum para a discutir. Esta reforma seria de uma importância extrema, pois garantia que as mudanças efectuadas iriam manter-se, criando um quadro fiscal estável que não andasse ao sabor dos ventos que soprassem de São Bento.

Este aliás é um dos grandes problemas políticos a nível nacional, o facto de nunca haver qualquer garantia que as mudanças efectuadas sejam mantidas e que seja dado o tempo necessário para perceber o impacto das mesmas.

Isto tudo no mesmo dia em que Pedro Passos Coelho afirmou, em entrevista, que o programa cautelar não exige o apoio do PS, mas que mesmo assim irá procurar o seu consenso e apoio. Diga-se de passagem, que bela maneira de começar. Todavia, não o tendo e sendo a vigência do programa de um ano, não haverá qualquer problema com este facto.

Estas atitudes deixam sempre a impressão de que o que importa mesmo é fingir que se tentou, ou até tentar, mas sem nunca o conseguir efectivamente. As eleições Europeias aproximam-se e o resultado é este radicalizar do discurso e a postura agressiva a que estamos habituados, deixando de fora qualquer hipótese de entendimento quanto às inúmeras matérias para as quais seria aconselhável ou mesmo necessário haver uma convergência de posições.

A Retalho

 

O País continua a ser vendido a retalho, às postas, e temo que não será possível corrigir estes erros se este governo continuar a perpetuá-los uns atrás dos outros.

À medida que o tempo passa e os erros se acumulam, será cada vez mais difícil saná-los.

O novo “grande negócio” que é como nos tem sido vendida esta operação de privatização dos CTT, não abona nada de vantajoso. Como é que a privatização de uma empresa lucrativa e de serviço público essencial é um bom negócio; tal facto é algo que me ultrapassa.

Os CTT são uma empresa fundamental para o desenvolvimento e qualidade de vida do território nacional bem como da sua própria coesão, pelo serviço que presta e pela ligação que estabelece entre pessoas, empresas e regiões.

Apesar de as acções dos CTT terem sido as mais negociadas, só se valorizaram 0,36% e o encaixe financeiro de aproximadamente 580 milhões, seria o mesmo que o valor obtido através dos lucros da empresa em pouco mais de dez anos.

Na privatização da Royal Mail que também foi tida como um sucesso, as suas acções já valorizaram quase 80%, o que levou a que a banca esteja agora a ser investigada por via deste negócio. Factores que levariam qualquer um a ser mais cauteloso, mas a pressa é inimiga da ponderação.

Este negócio é feito atabalhoadamente e ruinosamente porque ao passo que os dividendos da empresa iriam para o Orçamento de Estado, a privatização obriga a que 80% das suas receitas sejam usadas para abater na dívida, deixando a Europa e principalmente a Alemanha mais contentes, e dando o argumento ao Governo de que as verbas não poderiam ser usadas de outra forma.

As contrapartidas muito provavelmente não serão cumpridas, tal como a guerra nas rendas energéticas e o comportamento da Three Gorges tão bem patenteia. Os prejuízos serão nacionalizados e os ganhos privatizados, como de costume.

E a seguir virá a privatização das Águas e da TAP, também elas ruinosas e sem qualquer sentido estratégico. Mais uma vez, tal como recorrentemente se faz através dos fundos de pensões para tapar os buracos do orçamento de estado, irá privatizar-se uma empresa lucrativa para remendar um pouco o buraco da dívida e poder dizer-se que esta tem estado a diminuir, sem pensar ponderadamente nas consequências de tal acto. Esta política é sempre efectuada por vistas curtas, demasiado curtas para o nosso futuro.