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Elogio da Loucura à Nave

Com este orçamento e sem qualquer mudança na política governativa, a austeridade irá continuar a queimar dinheiro e fazer implodir o que resta da nossa Economia.

O Governo numa atitude que demonstra a sua falta de sanidade irá continuar a aplicar a mesma fórmula e espera que miraculosamente os resultados desta vez sejam diferentes.

Mas, o que irá acontecer é o que temos visto. A receita irá cair ainda mais, fazendo com que a despesa com a protecção social aumente a economia impluda e o desemprego continue a subir.

Nestes dois anos e meio de austeridade já foram retirados 35.000 milhões de euros à economia e 400.000 postos de trabalho, levando milhares de empresas à falência. Mas o défice manteve-se quase igual e o défice público continua a aumentar.

A fórmula para tentar obter resultados diferentes irá ser a mesma, pois o que realmente interessa é continuar a desqualificar o valor do trabalho e os seus direitos e vender a desbarato tudo o que seja público e rentável, dando a estocada final na economia.

O novo ciclo não irá chegar se as medidas forem as mesmas e iremos continuar a oscilar perigosamente entre um segundo resgate e um programa cautelar. Em qualquer um dos casos a decisão não nos pertencerá só a nós.

Mas o massacre irá continuar de modo a eternizar o empobrecimento e contracção das economias dos países periféricos, único ponto do memorando da troika que estão realmente compenetrados em fazer cumprir.

O Novo Ciclo Morreu de Velho

O Orçamento de Estado de 2014 é de novo de uma austeridade inimaginável, apesar de este facto ter sido sempre negado pela ministra das finanças e pelo vice-primeiro-ministro que garantiram que bastavam umas pequenas e médias poupanças.

Não bastou e sabemos a propensão deste governo para recorrer ao eufemismo, mas não há volta a dar, é de uma austeridade brutal e como de costume incide com maior força onde não devia insistir. Mais de 80% são cortes na função pública, reformados e nas áreas da Educação e Saúde. E só 4% advêm de taxas para a banca, empresas petrolíferas e redes de energia. Continuam a carregar por demais nos funcionários públicos, reformados e pensionistas e brandamente na banca e seus swaps, nos contratos das PPP e nas rendas excessivas do sector energético. Depois de tanto contrato celebrado e não cumprido, é difícil perceber porque é que não conseguem também renegociar estes outros contratos.

Basta de eufemismos, este governo é inapto e mentiroso. Passos enquanto candidato a primeiro-ministro afirmou que conhecia os dossiers, que não seria preciso aumentar os impostos nem despedir funcionários e que estava preparado para governar. Lamento, mas não estava.

Desde o início que não tem programa e salvo algumas medidas demagogas como o governo enxuto, não tinha muito mais para mostrar. Chegada a hora de formar governo viu-se rapidamente manietado por Vítor Gaspar e por António Borges. Achando assim que passaria a ter um guião. Não teve, ou melhor teve mas não era o correcto, como sobejamente temos visto.

Mas apesar destas evidências a aposta continua a ser a mesma, vai-se cortando indiscriminadamente à medida que surgem os problemas, numa redução cega e recorrendo ao aumento de impostos e das contribuições. Não há algo de raiz pensado para resolver os problemas estruturais e efectuar a famosa reforma do estado, a tal que continuamos à espera que Portas tire da gaveta, mas que com o decorrer do tempo, creio cada vez mais que nunca chegará a ver a luz do dia.

Os cortes são nos salários e nas pensões e não através da reforma do estado. Insistir neste erro e recorrer cegamente a cortes não irá ajudar, tanto o Banco de Portugal no seu último relatório, como o próprio FMI, já afirmaram a sua discórdia perante estas medidas e demonstraram que por cada euro retirado à economia em tempo de crise a consequência será retirar 1,20€ ao PIB.

Muito provavelmente os 4% de défice não vão ser atingidos e ainda iremos ter mais um orçamento rectificativo. Como a reforma do estado não irá ser feita quando os cortes forem repostos, irá colocar de novo Portugal com valores incomportáveis. A não ser que os cortes transitórios, mas não necessariamente anuais como já nos elucidou a Ministra das Finanças, se tornem mesmo definitivos.

Erros Factuais

 

Apesar dos constantes episódios vergonhosos associados ao ministro dos negócios estrangeiros já deu para perceber que a teimosia de Passos Coelho junto com a fragilidade do governo, irá fazer com que Machete continue sine die no cargo, independentemente do que tenha feito ou venha ainda a fazer.

Logo aquando da sua nomeação foi dito aqui, que a sua escolha era um erro crasso e que só viria fragilizar ainda mais o periclitante governo. Agora escândalo após escândalo, omissão no Curriculum da sua passagem pela SLN, o preço de compra das acções, a maneira como era pago pela mesma ao desempenhar a função de presidente do conselho superior, são erros por demais. Que são agora complementados pelo mais recente, envolvendo Angola e através do qual, deduzindo pelas suas afirmações, deixa cair por terra princípios básicos da democracia como a separação de poderes.

O governo de tão fragilizado que está não arrisca demitir Machete nem Maria Luís Albuquerque por achar que esse facto é que os tornaria mais vulneráveis, quando é óbvio que a sua manutenção e os sucessivos erros factuais, esses sim é que os fragilizam. Visto que o último escândalo não é considerado nada de grave temo que já nada seja.