Monthly Archives: September 2013

Autárquicas

 

As autárquicas estão mesmo à porta e agora já não parece ter tanta piada a demagogia generalizada nas propostas e a comicidade de certos candidatos que nos têm refastelado com as suas pérolas.

Os ditos tesourinhos já não soam tão ricos agora que a data se aproxima, e verdade seja dita, só virão ajudar ainda mais a aumentar a distância entre os eleitores e a política.

O descrédito crescente da população nos políticos e na política fez surgir por toda a Europa novos partidos e novas soluções para os eleitores, ao passo que em Portugal são raros os casos.

Quanto aos “independentes” a grande percentagem deriva de quezílias partidárias e não de uma vontade individual de criar uma alternativa.

A decisão da Comissão Nacional de Eleições veio restringir ainda mais a informação que podia ser disponibilizada aos eleitores e favorecer os maiores partidos e seus candidatos que poderão usufruir das máquinas dos partidos para se promoverem.

Uma coisa é certa, tal como em todas as autárquicas não haverá grandes derrotados. Depende sempre da perspectiva e cada partido faz uso da que lhe é mais conveniente. Mas acredito que independentemente da perspectiva haverá mais uma vez um vencedor consensual que será a abstenção.

Avaliações

Já se iniciou a 8ª e 9ª avaliação da troika. Esperemos que estas avaliações não se tornem na saga que foi a anterior e que ainda hoje nos faz sofrer as consequências desse espectáculo, através do aumento dos juros da dívida para níveis incomportáveis.

O Presidente da República já veio mais uma vez apelar ao consenso, que sabemos o quão é difícil de alcançar, quanto mais em plena campanha autárquica. Esta coincidência de datas pode ser prejudicial pois irá limitar ainda mais a razoabilidade dos intervenientes.

A troika apesar de também ter mudado os seus rostos não mudou o discurso nem a sua ideologia e continuará a insistir nas metas nominais estabelecidas para o défice do estado. Mesmo assim, há que aproveitar esta ocasião para continuar a defender uma folga no orçamento de estado de 2014, pois esses 0,5% poderão representar um ganho importante para a economia ao aliviar um pouco esta austeridade excessiva.

O equilibrar do défice externo e bom desempenho nas anteriores avaliações devem ser louvados e servir de argumento para o aliviar da austeridade. Aliado ao facto de que Portugal é tido como um exemplo bem como o desejo unânime de que suceda à Irlanda no programa cautelar.

Este programa também terá as suas imposições mas certamente será uma solução melhor do que a de um segundo resgate. Teremos que aguardar para ver os desenvolvimentos das avaliações e do próprio programa cautelar.

Para que seja possível a Portugal regressar aos mercados em Junho de 2014 com a garantia do Mecanismo de Estabilidade Europeu e do Banco Central Europeu nas operações de financiamento no mercado.

Depois da Primavera

 

As Primaveras Árabes continuam a florir apesar de não terem desabrochado da maneira ingénua como muita gente no Ocidente pensou, mas fazem o seu caminho por trilhos para além dos imaginados.

Os Estados Unidos irão falhar quanto à sua estratégia de evitar envolverem-se em mais guerras no Médio Oriente, algo que combinado com a passividade já conhecida e reconhecida à postura da Europa ou da ONU influenciou ainda mais a apatia internacional reinante perante a Síria.

Por isso só agora Obama acaba por se ver finalmente preso pelas “linhas vermelhas” que foi impondo e parece cada vez mais iminente uma intervenção na Síria. Mas ninguém quer ficar numa fotografia semelhante à tirada na Cimeira das Lajes.

A percepção pública e Internacional está cada vez mais céptica em relação a invasões sem bases fundadas e sem sombra de dúvida quanto à acusação feita e seus motivos – uma intervenção unilateral só é defendida por 30% dos Americanos e cerca de 20% dos Europeus – para além da necessidade de ser efectuada pelos parâmetros internacionais.

O dilema de Washington é que já não pode continuar por muito mais tempo a deixar passar em branco as atrocidades infligidas pelo regime de Assad e não se convence quanto à resposta a dar.

Hesitando entre uma resposta selectiva que impeça a violação da norma internacional contra o uso de armas químicas ou um ataque mais contundente.

O Médio Oriente é uma região com inúmeras ramificações e etnias, um cenário bastante complexo do qual a Síria será o mais imbrincado. E os E.U.A. receiam que uma resposta selectiva faça com que o Irão se sinta fortalecido, para além de que a mensagem não poderá ser ridícula ao ponto de dizer que até pode continuar a matar desde que não seja recorrendo a armas químicas.

Esta tragédia humana, que já fez com que mais de 4 milhões de pessoas abandonassem as suas casas e 2 milhões fugissem do país, continuará por mais tempo mas a comunidade internacional e os seus líderes começam a ser chamados e cada vez mais pressionados a responder a esta calamidade.