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Baralha e dá de novo

 

Regressado e revitalizado acreditando que o distanciamento traz a clarividência necessária para perceber no meio de tanto ruído e mudanças que no essencial tudo continua igual.

Já temos de novo governo, afinal não caiu. Em abono da verdade nunca deixámos de ter. Houve a ameaça, para chamar o Partido Socialista à discussão de um eventual acordo que muito dificilmente chegaria a bom porto para depois se aceitar o que havia sido rejeitado antes.

Em todas estas particularidades e foram inúmeras, ao ponto de não ser possível enumerar todas, irei concentrar-me nas que causam maior estupefacção.

Bem sei que a opinião geral é que o governo e Passos Coelho saíram fortalecidos, mas custa-me acompanhar esse raciocínio. Como é que alguém que entrega quase por completo a governação a Portas sai fortalecido?

Visto que o CDS fica com a Economia, Solidariedade, Emprego e Segurança Social, bem como a pasta da Agricultura e Portas sobe a vice-primeiro ministro e concentra em si a coordenação económica, troika e reforma do estado, é-me difícil chegar a essa conclusão.

A não ser que o intuito seja responsabilizar e prender Portas a este governo, não bastando dizer que não concorda, mas obrigando-o a apresentar soluções e aplicá-las. Este facto sim terá que implicar mudanças no seu discurso e postura, mas só quando o barco tremer outra vez e a tempestade apertar é que veremos se mudou mesmo a postura ou só o discurso.

Quanto às nomeações de Paes Jorge e Rui Machete são deveras espantosas e prova cabal que este governo não aprende e quer continuar a fazer politica como dantes, num círculo restrito a amigos e sem sentido crítico algum.

Círculo no qual se inclui o Ministro dos Négocios Estrangeiros Rui Machete, entre outras figuras bastante conhecidas da nossa praça e todas elas com ligações ao BPN. Dias Loureiro, Duarte Lima e accionistas escolhidos a dedo, como o Presidente da Républica e a sua filha, entre outras pessoas bafejadas pela sorte de conseguir encontrar negócios fantásticos sem risco algum e um retorno invejável do investimento.

A escolha para os cargos de Rui Machete e Paes Jorge, com a sua passagem supersónica pelo governo e a sua falta de memória tão em voga nos tempos que correm, são erros crassos.

É a política de antigamente, de compadrio, a velha promiscuidade que não separa poderes e indigna as instituições e a política.

E no entretanto, Maria Luís Albuquerque, outra má escolha, irá continuar a arder em lume brando enquanto nega tudo o que tem sido provado.

É verdade. Há algo de podre, mas não se reduz aos hábitos.