Monthly Archives: June 2013

As Razões dos Protestos

As manifestações que se têm visto não são meramente pela razão ou razões apontadas pela Comunicação Social. As coisas nunca são assim tão simples, prendem-se com inúmeros outros factores, outras situações. Mas é sempre mais fácil reduzir as causas e afunilar o pensamento a uma simples e única razão.

É óbvio que os protestos no Brasil não se cingem ao aumento dos preços dos transportes públicos, tal como na Turquia as reivindicações não se limitam à oposição por parte dos protestantes ao projecto de requalificação e desenvolvimento da Praça Taksim.

O Brasil está a lutar pelo seu futuro e por uma gestão mais responsável do investimento público. Os manifestantes clamam por uma melhoria nos serviços públicos e um combate à corrupção, criticam os elevados custos com a organização do Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que irão sorver o financiamento em detrimento de outras áreas como a Saúde e a Educação.

Na Turquia os protestos iniciados há quase três semanas, que contestam o projecto que levará à destruição da Praça Taksim e do parque Gezi para a construção de um centro comercial e uma mesquita entre outras infraestruturas, originaram uma vaga de indignação que se alastrou a outras cidades do País, tal como aconteceu no Brasil.

O que une estas pessoas, de uma diversidade enorme, é que todas elas concordam que o rumo que se está a tomar terá que ser mudado sob pena de que se assim não for as repercussões serão grandes e os atrasos que trará a nivel civilizacional também.

Em parte o que as Primaveras Árabes reclamam para si é o que tem sido posto em causa e retirado aos Europeus. Resta o clima de insegurança nunca colmatado, nem a nível nacional, nem Europeu ou Internacional, por falta de respostas e de decisão pelas instituições aliadas a uma comunicação adequada das mesmas. Deixar o sentimento de que os sacrifícios não são devidamente repartidos e que há sempre alguém a tirar dividendos da situação calamitosa em que estamos só traz mais revolta.

A falta de futuro e perspectivas que faz adiar a vida sine die levará cada vez mais pessoas a insurgirem-se e a insatisfação e o descrédito pela política irá agravar-se condenando-nos a ficarmos entregues às soluções criadas nas jotas.

As razões serão sempre mais do que aquelas que são mencionadas mas…

 

 

 

Extremos

 

A extrema-direita grassa na Europa e ganha um protagonismo com contornos cada vez mais preocupantes.

Através da internet aumentaram e continuam a aumentar consideravelmente a adesão de jovens europeus a movimentos nacionalistas.

E com uma promiscuidade cada vez maior com a polícia, o exército e as empresas de segurança privada à medida que os seus membros se vão infiltrando nelas, dando-lhes acesso a licenças e portes de armas, para além das obtidas ilegalmente, bem como a treinos de situações de combate. Até acordos de cooperação têm sido efectuados entre os partidos de extrema-direita, sendo o mais visível, entre Checos e Alemães.

Perante tal encruzilhada, ou iremos deixar que este mal se alastre ou teremos que combater esta horrífica tendência, da qual pelos vistos ainda não aprendemos todos qual o seu final.

O aumento de apoiantes da extrema-direita, denominador comum a quase todos os países da Europa é algo que a própria não pode continuar a fingir que não vê. Um dos pontos na origem da criação da União Europeia, entre outros, foi evitar que regimes autoritários, xenófobos e racistas como os de 40-45 não voltassem a existir no continente Europeu.

A União Europeia, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu terão que ir além dos esporádicos avisos ou alertas, quando determinados países não respeitam os seus valores fundamentais.

A crise económico-financeira na Europa, o aumento da exclusão social e a injustiça na repartição dos sacrifícios é algo que levará ao agudizar de tensões, bem como o próprio discurso Europeu também ele xenófobo em relação aos países do Sul. Esta mistura de elementos conciliada com o atraso habitual por parte da Europa a dar respostas poderá ser uma mistura explosiva.

A situação só melhorará se houver uma resposta perentória de combate a este fenómeno crescente de adesão à extrema-direita, através da aprovação de normas legais para a sua dissuasão.

E uma mudança e procura de soluções perante os outros problemas que a Europa enfrenta, pois se continuar sem reagir deixando o seu espírito desvanecer à medida que a revolta social cresce, não subsistirá. Assim sendo irá terminar de duas maneiras, cada vez mais violência nas ruas ou num voto de protesto nos partidos extremistas ou de carácter circense.

Corremos o risco de estes partidos continuarem a crescer e a afirmar-se complicando seriamente o funcionamento das instituições europeias, ao engrossarem o seu número de representantes no Parlamento Europeu, no Conselho e na Comissão.

Uma coisa é certa se a falta de perspectivas de futuro continuar, aliada à falta de soluções ou de procura de outros caminhos, em especial perante as gerações mais novas, estas tenderão a extremar as suas posições.

DEO vs OCDE

Para não variar os números estimados pelo Governo já saíram gorados, as previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico agravam todos os indicadores macroeconómicos para Portugal, tanto para este ano como para o próximo.

Já começou a guerra dos números com Vítor Gaspar a desvalorizar as previsões da OCDE valorizando assim as suas, “ a Comissão Europeia é a organização internacional que melhores resultados apresenta, com desempenho significativamente melhor que o da OCDE”. Ao mesmo tempo que reafirma a sua confiança no cenário macroeconómico apresentado no Documento de Estratégia Orçamental.

O problema é que apesar dos números e da sua maior ou menor exactidão, o ponto a ter em conta é que as previsões apontam para um défice maior do que o previsto, um maior aumento da dívida pública, uma maior recessão e um crescimento menor, pois estas coisas costumam andar ligadas. Logo o caminho, como é fácil de perceber, será mais cinzento do que pintam.

Independentemente dos números e da sua volatilidade, uma coisa terá que ser corrigida, as constantes medidas lançadas avulsas. A inconstância que tal situação cria, deixando os Portugueses no início de cada mês sem saber quanto irão receber no final do mesmo, é algo que incapacita qualquer decisão.

O facto do Orçamento Rectificativo ter uma probabilidade cada vez maior de falhar com o agravar da recessão faz com que no dia em que o mesmo foi entregue no Parlamento, já se fale na possibilidade de haver outro para o rectificar, prova cabal do desgoverno que se tem visto.