Monthly Archives: April 2013

Consenso e Bom Senso

 

Será que o rumo irá mudar? A ideia que querem passar é essa, porque de repente até se quer que haja diálogo. Um governo que até agora só tem antagonizado tudo e todos os pontos de vista.

Dividir para conquistar é uma táctica recorrente mas depois torna-se difícil mudar de ideias e procurar os consensos que agora se tornaram tão prementes.

A guerra que criaram entre privado e público e entre gerações era o cenário ideal para implementar as mudanças que querem efectuar, mas agora que se quer entrar em diálogo acredito que seja maís difícil; o monólogo já dura há muito tempo!

Até o FMI pela voz de Christine Lagarde e a Comissão Europeia através de Durão Barroso já anunciaram que a política de austeridade atingiu o limite e que será preciso haver investimento e medidas concretas para o crescimento, alertando para os perigos da austeridade aliada à falta de solidariedade.

Claro que estas opiniões já foram rectificadas por outras vozes discordantes e o interessante será ver qual das vozes irá imperar.

Curioso também é a coincidência das datas; finalmente existe alguma abertura do governo para com a oposição e medidas económicas para revitalizar a economia, tudo isto dias antes de se celebrar a Revolução dos Cravos.

Já agora na nova receita que prescreve um pouco de diálogo, juntem umas gotas de bom senso.

O bail-in e o bail-out do Capital

 

A decisão de efectuar um bail-in no Chipre fez com que houvesse uma fuga massificada de capital nos países intervencionados ou em risco de o serem.

No Chipre como noutros países há sempre umas quantas pessoas iluminadas e com influência que tomam conhecimento das decisões antecipadamente e por isso resguardam ou ampliam a fortuna.

Uns dias antes da reunião do Eurogrupo na qual se decidiu ou melhor anunciou, o bail-in ao Chipre, os ditos ilustres retiraram mais de 20 mil milhões de euros.

Esta decisão ou provocação da União Europeia não correu como planeado e a Rússia não lhes pôs a mão por baixo tal como se expectava que viesse a fazer em consequência do decidido bail-in. O tiro saiu pela culatra e agora há uma fuga generalizada de capital. Diariamente são apanhadas inúmeras pessoas a tentar sair do país com malas cheias de dinheiro.

A situação nunca será resolvida senão houver um combate eficaz e aplicado conjuntamente por toda a União Europeia. Ultimamente tem-se assistido a alguns passos dados neste sentido, tal como a tentativa de adesão a um sistema automático de troca de informações fiscais, medidas às quais os países com paraísos fiscais se irão opor.

Enquanto houver centros financeiros e paraísos fiscais mais vantajosos, este bailado não irá acabar. As grandes empresas irão mudar as suas sedes fiscais para esses mesmos países e munir-se de peritos fiscais de grandes consultoras que irão elaborar sofisticados esquemas de optimização fiscal através dos quais se consegue chegar a valores irrisórios para o volume de negócios que a empresa detém e tudo dentro da lei.

Se tal não for mudado, o problema irá manter-se e não dá para ir a jogo quando apesar da legalidade dos actos, o que se apercebe é que as regras não são iguais para todos.

Iremos continuar nesta caminhada de empobrecimento e pauperização das populações aliada a um desemprego galopante que com certeza irá ajudar às mudanças que se querem efectuar nos direitos laborais e no Estado social.

Passo a passos a caminho do abismo

 

Continuamos passo a passos a caminho do abismo e isto já não se resolve com uma pequena remodelação. É preciso lavar as caras do governo para transmitir um pouco mais de credibilidade, mesmo sabendo que essa aura de novidade num instante cairá e em grande parte fruto da inaptidão para a comunicação que o governo tem demonstrado. Pode ser que Poiares Maduro revele mais alguma arte neste campo.

É preciso mudar de política e criar condições para que a economia se reavive em vez de colocá-la cada vez mais de joelhos. Tal como na Europa há que criar as condições necessárias para a sua estabilização.

A situação na Europa está por um fio e os sinais de força e esperança que tanto são precisos para as pessoas acreditarem que isto não está entregue aos bichos e que a Europa fará o que for preciso para se manter de pé são raros.

Continuamos a aguardar pelas eleições alemãs e no entretanto a Europa só anuncia qualquer decisão quando já é totalmente impossível retardar ainda mais a resposta ao problema. E quando a resposta chega ainda é pior a emenda que o soneto.

Recapitulemos; a Grécia conseguiu o perdão de uma percentagem da dívida e agora a maturação dos empréstimos, a situação porém ainda contínua sem desfecho saudável à vista.

No Chipre, continua o caos e como de costume as contas podem não estar certas e será preciso ainda mais dinheiro do que o valor inicialmente apurado.

Em Itália, un casino anche. Napolitano está prestes a acabar o seu mandato e os sábios ainda não conseguiram chegar a uma solução para que finalmente seja possível formar governo.

Por cá, governam-se em vez de governarem!