Monthly Archives: March 2013

O Regresso

 

O anunciado regresso de Sócrates a Portugal tem despertado as emoções da sociedade Portuguesa que se encontrava mergulhada numa apatia generalizada, só esse facto já é de louvar.

Para além disso é sempre preferível ouvir de boca própria as justificações de um dos             co-responsáveis pelo estado da Nação. O seu gesto altruísta de o fazer em pro-bono, segundo as informações da comunicação social, também não é de descurar.

Agora que o ex-primeiro ministro enriqueceu de novo o seu Curriculum ao estudar Ciência Política, e o pó já assentou, regressa para uma rubrica semanal na RTP que trará de certeza dividendos à própria na luta pelas audiências.

A jogada tem muito que se lhe diga, e o concertar de posições fez com que este regresso se tornasse possível um pouco mais cedo do queríamos acreditar. Miguel Relvas terá dado o seu aval pelo facto de retirar um pouco as luzes sobre o governo e causar instabilidade no PS.

Mas não esquecer, Sócrates prepara-se bem sempre que intervém e sabe lidar com as câmaras, para além de despertar os ditos fantasmas no largo do Rato de modo a destabilizar Seguro, trazendo mais espaço de manobra ao governo.

E se regressa é porque haverá um nó para dar. No fim da meada Sócrates já olha para a Presidência da República e o desgaste deste governo tem sido tanto e de tal maneira acelerado que fez com que esta prenda surgisse um pouco antes do previsto.

Uma coisa é certa, será uma rubrica que despertará a atenção de muita gente e fará mexer um pouco estas águas, para além de fazer correr muita tinta.

Os meses de Marasmo

A 7ª avaliação da troika veio demonstrar mais uma vez o desnorte do governo, o Ministro das Finanças não acerta uma única previsão e visto que já falhou em tantas (a probabilidade de acertar em alguma já deve ser considerável).

Esperemos para ver, mas creio que mesmo os novos números não se irão verificar; o desemprego irá continuar a subir para além do previsto e a suposta viragem da Economia Portuguesa foi só uma miragem, uma cenoura para andarmos mais uns quantos metros em direcção à suposta luz, no fim do precipício.

A troika não reconheceu os erros no memorando, nem o governo os seus na sua aplicação, a avaliação foi passada numa troca de acusações, sem que nenhum tivesse a hombridade de assumir o que correu mal.

Apesar da situação calamitosa do Chipre, ninguém está preocupado em dar os sinais certos para que não haja uma maior destabilização da zona Euro.

A dura verdade é que irá demorar pelo menos uma década para ultrapassarmos esta crise, mas não há qualquer pressa. Passos aguarda pacientemente pela decisão do Tribunal Constitucional e pelas autárquicas para fazer uma remodelação, e os cortes também ficaram adiados pois é óbvio que será de novo mais um ponto de conflito na coligação.

Enquanto a Europa aguarda também submissamente os resultados das eleições Alemãs.

 

Aguardemos

 

Os não-casos

 

O novo caso da semana como de costume é um não-caso. Mas, ao tornar-se discutido ganha alguma ontologia.

A perversidade é tal que se discute algo que nem sequer foi dito e ao discuti-lo essa possibilidade ganha força. Algo que nem deveria sequer ser equacionado, sem que quem o fizesse não corasse de vergonha.

A preocupação é ter algo para discutir que de preferência não seja verdadeiramente premente para a actual situação. A oposição não terá muito para dizer a não ser as habituais larachas e o Presidente da República já nos veio elucidar com a equação: quanto menos fala mais trabalha. Nada de novo; para ouvir Cavaco ou seriam as palavras do costume ou um pedido para relermos as suas sábias intervenções anteriormente proferidas ou editadas nos seus roteiros.

Não creio, tal como muito boa gente, que o problema de Passos Coelho seja de comunicação. Acreditar que a descida do salário mínimo traria alguns dividendos para a Economia Portuguesa é pura ilusão. O problema de Passos é ideológico e não de comunicação política.

O paradigma é qual o modelo de desenvolvimento; se o da qualificação se o do empobrecimento. Se o governo insistir no segundo, pouco restará do tecido empresarial e social para suster o País. Há que mudar de rumo e discutir verdadeiramente as coisas antes que seja tarde demais, abstermo-nos de falsas questões e procurar as respostas para as perguntas que vale a pena fazer.